“O
mundo é um lugar perigoso; não somente por aqueles
que fazem o mal,
mas também pelos que olham e nada fazem” Albert
Einstein
Segundo
dados do SUS – Sistema Único de Saúde
, somente nos últimos cinco anos foram atendidas na
rede hospitalar brasileira 1.205.361 mulheres para tratamento
de complicações resultantes de abortos ilegais,
transformando-se em um dos mais graves e complexos problemas
sanitários que a sociedade brasileira, especialmente
as mulheres - as principais vítimas desse drama social
- , e os governos precisam enfrentar.
Embora este tema envolva aspectos legais, éticos e
religiosos que necessitam ser respeitados e preservados, não
podemos ignorar, como bem tem situado o Ministro da Saúde
José Temporão, que o aborto seja um grave problema
de saúde em nosso país e que tem mutilado e
matado milhares de jovens adolescentes que buscam na ilegalidade
a solução e o tratamento que a sociedade lhes
nega.
Por conveniência, temos deixado que o “mercado
resolva” mais esse problema de saúde pública,
e aí surgem milhares de “aborteiros” criminosos,
irresponsáveis e despreparados , exercendo ilegalmente
a prática médica, mutilando impunemente milhares
de jovens brasileiras.
O ministro da saúde tem colocado esta questão
de forma adequada. Trata-se de uma questão sanitária
que deve ser tratada de forma técnica com toda a sociedade,
ouvindo especialmente as mulheres sobre o drama que vivem
e , respeitando-se as diversas opiniões e crenças,
definirmos em conjunto o que seja melhor para nossa população.
Outro assunto recentemente abordado pelo Ministro Temporão
tem sido a grave distorção que o comercio de
farmácias se transformou. Este segmento comercial tão
controlado em todo o mundo transformou-se no Brasil em um
verdadeiro “free shopping” de conveniências
múltiplas. Hoje, nas principais ruas de nossas cidades
floresceu o comercio de farmácias , existindo dezenas
delas, uma ao lado das outras, vendendo qualquer coisa, desde
sandálias havaianas a refrigerantes, inclusive medicamentos
sem qualquer controle . A maioria das farmácias brasileiras
transformaram-se em verdadeiros mercados persas da “saúde”.
Não existe qualquer treinamento para os balconistas
que não seja o de “empurrar” um medicamento
cujo interesse comercial esteja alinhado com as comissões
pagas por alguns laboratórios inescrupulosos em busca
de lucros fáceis, cometendo frequentemente as mais
terríveis barbaridades farmacológicas.
A sugestão do ministro nos parece óbvia: precisamos
controlar as farmácias e descaracteriza-las como estabelecimento
comercial regulado exclusivamente pelas leis do mercado, submetendo-as
ao rígido controle da ANVISA e transformando-as em
agentes sanitários provedores de educação
para a saúde.
Em vários paises do mundo como Canadá e Alemanha
funciona assim e certamente isso em muito contribui para que
os resultados sanitários daqueles paises estejam acima
da média mundial.
Outro tema abordado com muita propriedade pelo Ministro Temporão
está relacionado a proposta de proibição
de publicidade de bebidas alcoólicas em rádios
e televisão por artistas e atletas. Tem crescido muito
o número de doenças como a hepatite aguda e
pancreatite causadas pelo consumo imoderado de álcool
entre jovens , levando muito deles a internações
hospitalares longas e sofridas, a morte precoce, além
de se estar desperdiçando os parcos recursos financeiros
existentes para as outras demandas de saúde que nosso
país tanto carece.
É um absurdo que se utilizem a imagem de artistas tão
talentosos e carismáticos, em horário nobre
de nossa televisão, para aliciar jovens para o hábito
da bebida. Uma pesquisa recentemente publicada no Archives
of Pediatrics and Adolescent Medicine pelo médico Leslie
Snyder da Universidade de Connecticut, realizada entre jovens
de 15 a 26 anos descobriu que, para cada anúncio de
bebida alcoólica visto por mês, há um
aumento de 1 por cento na média de drinques consumidos.
A descoberta vai contra os argumentos da indústria
de que apenas adultos prestam atenção à
propaganda de álcool. Os pesquisadores conduziram quatro
rodadas de entrevistas, entre 1999 e 2001, com um grupo de
1.872 jovens escolhidos ao acaso.
Por fim, mas assunto de de extrema relevância e prioridade,
tem sido proposto pelo atual ministro da saúde a necessidade
de se modernizar a gestão de nossas unidades de saúde,
implantando-se as boas práticas de governança
corporativa.
Consideramos extremamente necessária a proposta do
Ministro Temporão de criar-se parcerias público-privadas,
afastando-se o modelo autárquico que já demonstrou
ser ineficiente e ineficaz , substituindo-o por modelos controlados
pelo poder público mas focado em resultados, fundamental
para o êxito das boas praticas de governanca em nosso
pais. Só assim, com muita determinação,
faremos uma verdadeira revolução nos nossos
costumes e poderemos encontrar uma saída para nossos
aflitivos problemas
Josier
Marques Vilar
Presidente do SINDHRIO
Vice Presidente da ABEMID josier@sindhrio.org.br