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As mudanças na comunicação que precisamos fazer

“A qualidade é a nossa melhor garantia da fidelidade do cliente e o único caminho para o crescimento sustentado e para os lucros”
Jack Welch


Embora o caminho atualmente mais usual para escolha de empresas de home care, hospitais, clínicas e outros provedores de serviços de saúde seja através da indicação dos médicos, amigos ou do próprio plano de saúde, a tendência é que, em futuro próximo, as pessoas façam suas escolhas com base em critérios mais objetivos, como por exemplo, os indicadores de desempenho publicados pelas organizações com certificações de qualidade.

Esta é a tendência observada em todo o mundo moderno de gestão e já se aproxima do Brasil com inúmeras organizações de saúde buscando a certificação de qualidade de seus processos operacionais através da acreditação e de outros métodos.

Com esta onda de escolher o prestador de serviços em saúde pela qualidade dos resultados que apresenta, necessitamos iniciar de imediato um aprimoramento de nossas práticas de comunicação corporativa, permitindo que nossas organizações possam informar seus resultados dentro de um padrão ético e com dados claramente expostos para que os usuários do sistema de saúde suplementar possam fazer suas escolhas com base em dados técnicos confiáveis.

Alguns passos já foram dados nesta direção, embora de forma incompleta, mas já revelando um grande avanço. Uma das iniciativas partiu da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, que criou o padrão de informação chamado TISS - Troca de Informação na Saúde Suplementar.

De acordo com este padrão, todo prestador de serviço deve depositar uma informação correspondente à ação que tomou com relação a determinado paciente, de tal maneira que, ao longo do tempo, estará criada uma grande base de dados de informações técnicas e gerenciais sobre a população brasileira assistida pela rede privada suplementar.

Acredito que em futuro próximo vamos começar realmente a trocar essas informações entre os participantes do sistema - hoje o trabalho de informar é uma obrigação única dos prestadores de serviços que não recebem qualquer contrapartida de informação dos planos de saúde- , e portanto precisamos começar a nos organizar já que a ANS, segundo seu atual presidente informou em recente evento no Rio de Janeiro, irá intervir para que a troca de informações efetivamente ocorra e que os resultados dos indicadores assistenciais de toda a rede possam ser públicos e acessíveis a todos.

Não tenho a menor dúvida de que a tendência seja dos pacientes e seus familiares escolherem seus provedores de serviços entre aqueles que apresentem melhores resultados assistenciais.

Esta é a razão principal – sustentabilidade com qualidade e foco no paciente – pela qual devemos montar uma grande estratégia de comunicação corporativa com base em dados mensurados em nossos serviços, pois no futuro que se aproxima todos irão poder acessar o site de uma clínica, de um hospital, laboratório ou de uma empresa de home care, e ali consultarem os resultados dos tratamentos efetuados. Neste momento os usuários terão acesso a dados para fazerem comparações e, a partir daí, escolherem.

A comunicação não será mais feita somente em base emocional, mas também, e principalmente, com base cognitiva, para que as pessoas saibam reconhecer, identificar e comparar as melhores práticas assistenciais. Atualmente, existem muitas razões apreciadas na tomada da decisão da escolha de um serviço de saúde, mas de uma maneira em geral essas razões são puramente emocionais e na hora em que todos nós tivermos maior mensuração – e a certificação de qualidade nos obriga a medir o que fazemos –, vamos poder comunicar isso melhor, facilitando a escolha pelos clientes. Portanto, as organizações de saúde precisam se organizar para isso, permitindo aos usuários dos sistemas público e privado de saúde escolherem melhor os seus provedores de serviços.

Acho também, que deveríamos dar uma grande atenção nesta comunicação corporativa aos sistemas de RH das empresas, já que 80% dos planos de saúde são empresariais, ou seja, são as empresas que os adquirem para seus funcionários. É preciso então encontrarmos uma maneira de comunicar a qualidade dos nossos serviços de saúde e os seus resultados técnicos não apenas ao usuário final, mas aos setores de RH das empresas, para que eles tenham informações consistentes sobre os provedores de serviços de saúde e possam exigir dos planos de saúde que contratam para seus empregados que eles possuam a melhor rede de prestadores de serviços com base nos dados técnicos publicados.

Embora seja uma percepção geral de que a quase totalidade da população brasileira não tenha a menor idéia do que significa a palavra acreditação, e portanto quase ninguém saiba o que isto representa para as instituições, precisamos fazer um imenso esforço de divulgar os nossos indicadores de qualidade, ajudando assim os clientes do sistema de saúde suplementar a escolherem a melhor alternativa.

Precisamos fazer um esforço de comunicação para que todo mundo saiba o que é acreditação e por que vale a pena optar por um serviço certificado.

Somente assim, qualificando pessoas e processos e integrando, divulgando e compartilhando as informações de nossos resultados assistenciais conseguiremos manter a nossa boa reputação e ampliar de forma saudável o relacionamento com todos os participantes do sistema de saúde suplementar privado, consolidando o desejo de todos de termos um sistema de saúde com qualidade e sustentabilidade.

Josier Marques Vilar
Médico, diretor da PRONEP, Presidente do SINDHRIO e organizador do livro Governança Corporativa na Saúde.

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